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segunda-feira, junho 21, 2004

Melodia


Não te preocupes. Já me sinto melhor. Descanso, medicação e isolamento. Foi tudo o que precisei para recuperar. Sim, ainda estou fragilizado. As minhas defesas ainda estão translúcidas... mas pouco. Entretanto, enquanto o corpo tremia, enquanto a voz caía numa apatia sem som, enquanto a mente contorcia-se em confusão, o rádio ligado, abandonado durante anos naquele parapeito sem sol, emitia uma antiga melodia de revitalizante serenidade. Terão sido estas as ondas que me resgataram? Terá sido este o meu vento? A minha maré? Guitarras acústicas, um ritmo ondulante e descansado, o ruído da agulha que percorre o circular negro do vinyl acariciado pelo tempo. Sem voz. Apenas o deslizar humano pelas cordas. Apenas o suave tocar da madeira em pele e em metal. O vazio de palavras apenas existia no rádio. Em mim tudo despertava. E disse-te tanto.
Uma linha de horizonte flamejante surge para lá da porta do quarto. O corredor está vazio. As batas brancas foram deixadas no chão. O sangue seca nas paredes. E se conseguisse mover-me, este seria o meu caminho.
Obrigado pela visita.


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música: Enablers - And Last Night?
pensamento: noites de verão com euforia e serenidade

Æmitis :: 01:13 ::: (0) Apêndice-[s]

segunda-feira, junho 14, 2004

Delírio


Segunda noite. Ou será ainda a mesma? Não consigo ter certeza. Nada se alterou, nada mudou. Não me sinto mais velho. Não. Algo está diferente. Está tudo mais lento. Mais distorcido e sujo. Parece que surgiu uma névoa que encobre tudo o que vejo. Sinto-me submerso. Tenho dificuldade em respirar. Estou ofegante mas inerte. Desequilibrado. Doiem-me os ouvidos. Mal consigo ouvir-me pensar com tanto ruído. Comecei a sangrar do nariz... queria ficar preocupado... queria importar-me... não consigo. Tudo acontece como se de um sonho se tratasse. De um sonho que apenas observo, não o vivo. Como se tivesse dentro do sono de outro alguém e, como espectador, nada do que via me afectava. Não estou contente. Não estou horrorizado. Estou apático e presente. Como um pedra no meio de um caminho. Sou estátua e sou paisagem. Sou o pormenor que ninguém nota. Sou menor na grande tela. Parece que começo a sentir algo. O sangue está quente e os meus dedos deslizam sobre a face. Fica um rasto vermelho, líquido. Pintei-me. Devo parecer um guerreiro. Um guerreiro sem batalha e sem força. Uma pedra. Tenho febre. Fui mortalmente ferido mas ainda não me concretizei. Estou só ferido ainda. Estou doente. Tenho febre e frio. Sinto-me fraco. Deve ser de estar a perder sangue. Sou um animal que aguarda no matadouro. Estou atordoado. Estou dorido. Se conseguir arrastar-me até à cama irei ter algum alívio. Se esperar mais um pouco, aqui deitado, vou ter alívio. A mancha de sangue nos azulejos brancos do chão alastra-se continuamente. Em batimento conquista espaço. Estou tonto. Vou perder os sentidos. Acho que já perdi alguns. Acho que me perdi. Mas como o poderei saber? Tenho febre. Tenho frio. A tua voz. A tua voz. A tua voz. A tua voz. a voz... a...................... conheço-te. vem. não sou eu que escolho. não sou eu que sou. nada. nada. nada. ................................................................. . . . . .. . . . . . . . .. . . . . .. . . . . . . . .......... . . voz tu . . a . . voz . s. e..... . . . .s o m . . . nada. .. . .. ........ .tenho um segundo batimento no lado direito do meu peito que desconheço.


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música: Tribes of Neurot - Cathardiae
pensamento: medo

Æmitis :: 03:24 ::: (0) Apêndice-[s]

domingo, junho 13, 2004

Febre


Mal consigo abrir os olhos. Mal consigo sentir. Estou dormente e doente. Eternamente doente. O meu corpo transpira desassossegadamente. Não devia estar aqui. Devia estar deitado, adormecido, esquecido, morto para o dia que repousa. Porém, insisto em escrever. Em falar. Mesmo sem assunto, sem ideia, sem conteúdo sequer. Insisto. Não há motivação. Não há direcção. Existe apenas esta insónia, esta paranóia a quem cheguei a chamar de amiga. Não te recordas? Déja vu... perpétuo?
O meu corpo não funciona como devia. Nalgum momento durante o período intra-uterino houve alguma falha, alguma quebra no desenvolvimento normal e naturalmente seleccionado. Ou então não será uma falha...apenas uma diferente configuração. Depende do dia. Neste momento nada disso interessa. Mas estou doente. Febre. Tenho febre. Provavelmente nem estou a escrever, estou somente a delirar. O delírio também é meu amigo. O conforto da neurose. Tudo muito pouco explicado, muito mal analisado, muito superficialmente definido. Um conjunto de palavras que se amontua e que nada descreve. Conceitos perdidos na vastidão da noite. Transpiro. Sinto o movimento terrestre. Estou enjoado. Que tudo parasse neste momento para eu poder respirar. Beber um pouco de água talvez. Acho que melhoraria se tal acontecesse. Eternamente doente. Disfuncional. Frágil. Como se cada expiração fosse a última e cada inspiração um alívio. Ainda consigo viver. Tenho que ter em atenção o meu ritmo cardíaco. Tanto em que pensar...


não tens de dizer nada.
senta-te ao meu lado e deixa-me descansar no teu colo.
podes mexer-me no cabelo.
as tuas mãos de lâminas recolhidas são meigas.
mata todos os mosquitos e todo o oxigénio.
o ar que reservámos chega para este momento.
sinto-me melhor.
e tu, distante.


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música: nenhuma
pensamento: "oxygen should be regarded as a drug."

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terça-feira, junho 08, 2004

Deslize Branco


Agora o tempo parou. Nunca a minha presença, o eu em mim, teve uma claridade como esta. Conseguiria iluminar milhares de planetas neste estado. Seria fonte e destruição. Mas sou apenas eu... e olho para dentro. Contemplo mais que uma paisagem de estranhos contornos de enegrecidas árvores. A onda de fogo não trouxe só incineração. Trouxe regeneração. É neste local que permaneço. Afinal, o tempo parou e não tenho para onde ir... nem quero.


Espero. Repito. Algo não está correcto. Estou desfocado. Isto é mais que dúvidas.


Perdi-me naquele efémero momento. Efémero?


Trouxe-te um caixão. Estranho presente. Vi-o à beira da estrada de traços distorcidos e pareceu-me ter a tua cor. Não precisas descansar já. Espera mais um pouco. Quero despedir-me. Agora que segues fora de mim, quero aconselhar-te para teres as armas com que lutar, quero acariciar-te para teres a armadura com que te defenderes, quero beijar-te para me sentires pela última vez.
Desculpa mas não te posso levar. Ainda tenho que encontrar o sangue que perdi enquanto me despia à tua frente.
Adeus.


Perdi-me naquele perpétuo momento. Perpétuo?


Um corvo de penas brancas. Por onde andaste? Vens sujo... mas nunca voaste tão perfeitamente. Se não te conhecesse ter-te-ia confundido com fumo e com ar. Podes regressar. Sou teu de novo. Talvez agora possamos continuar a escrever as pequenas histórias que não se recordam e não se relêem. Apenas se escrevem. E crescem. Fora de si e fora de todos.
Fico feliz por te ver. Mesmo que não tenha sentido a tua falta, sempre precisei da tua presença. Lembras-te onde ficámos? No início?


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música: Radiohead - The Gloaming
pensamento: não há imagem como a insanidade

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